segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A tal crise dos 8 meses (ansiedade da separação): não é que ela existe!

Como todos sabem Marininha tá com 8 meses, e tá que tá, risonha, barulhenta (deu para gritar um monte), engatinha, vai de uma lado para o outro, se levanta apoiada, ama ficar em pé, ama brincar com a mamãe e com o papai, cada dia mais esperta, cada dia mais cuti... Só que também tá mais chorosa, com falta de apetite e com muita, acreditem...MUITA... dificuldade para dormir. E depois da enésima noite mal dormida deu vontade de partilhar mais essa "aventura" materna que é a crise da ansiedade da separação ou angustia da separação.

Mas porque isso acontece? 


Como se sabe o bebê humano nasce muito imaturo durante seu primeiro ano de vida vai construindo e consolidando habilidades que lhe permitirão viver (sentar, andar, comer, etc). Durante essa fase a mãe (ou cuidador substituto) estabelecem uma relação muito próxima, quase visceral com o bebê e garante que todas suas necessidades sejam atendidas. 


Segundo Winnicott o inacabado ser humano quando vem ao mundo se confunde com este. Ainda não tem definido o que é seu corpo, o que ele é, o que é o outro, o que é o mundo que o cerca. Ao sugar ao seio, mais do que olhar para este, o bebê olha para o rosto de quem o está amamentando e quando olha no rosto da mãe o que vê é ele mesmo. O bebê recém-nascido então não diferencia sua mãe dele mesmo, para ele o corpo da mãe é uma extensão de seu próprio corpo.

Aos poucos o bebê vai descobrindo seu corpo, as mãos, pés, inicia-se o desenvolvimento psicomotor ainda rudimentar e assim vai se formando uma imagem  do seu corpo, Lacan (1949) desenvolveu a ideia do estágio do espelho (originalmente postulada por Wallon em 1934), que fala mais ou menos o seguinte: quando olha para o espelho o bebê inicialmente vê um outro, só depois percebe é que ele mesmo está ali. Então primeiro vê o outro, depois esse outro é ele mesmo e dá-se a partir daí um jogo de alternância eu-outro.

É justamente nessa fase (a partir do 6º, com mais intensidade no 8º mês) que o bebê começa a tomar consciência de que ele e a mãe são distintos, essa descoberta lhe traz angustia e medo. É importante ressaltar que para um bebê muito pequeno só existe aquilo que está no seu campo de visão, então quando a mãe não está ele pode realmente ficar em pânico. 

Essa fase leva a criança a ficar mais "grudada" na mãe, gera dificuldades de sono, mais choro e falta de apetite (em alguns), porém não deve ser menosprezada, aqui destaco um trecho do texto da Andreia Mortensen sobre o assunto.

É preciso levar a sério a intensidade dos seus sentimentos. O bebê não está “chatinho”, “grudento” nem “manhoso”. Como a mãe é o seu mundo e representa sua segurança, e como a noção de permanência (ou seja, tudo que está longe do campo de visão) não está completamente estabelecida, essa angústia é muito acentuada. A maioria das conexões nervosas no cérebro são feitas na infância e a maneira com que lidamos com as emoções do bebê tem um efeito profundo em como essas conexões se refletirão na capacidade do bebê lidar com suas próprias emoções quando for adulto. Em outras palavras, experiências na primeira infância e interação com o ambiente são as partes mais críticas no desenvolvimento do cérebro da criança. 

Para lidar com essa fase tão delicada encontrei no livro Soluções para Noites sem Choro  algumas dicas, que pus em prática e tem ajudado:
1. Aumentar os cuidados diurnos com o bebê, dar mais carinho; (Esse não foi nenhum sacrifício ADORO ficar grudadinha com minha Marina)
2. Seguir a rotina de dormir sempre (Por exemplo, a rotina de Marina consiste em: jantar, banho e massagem, musiquinha com a mamãe, mamar e dormir. Só que ela está se negando terminantemente a comer, mesmo assim todo dia faço seu jantar e ofereço);
3. Manter fotografia da mãe próxima ao berço (Essa não precisei por causa da cama compartilhada);
4. Se despedir do bebê ao sair, sempre dar tchau (Tô tentando, doí o coração mas é o jeito, e o pior é fazer isso com cara bonita e confiante que tudo vai dar certo! Vamo que vamo, colocar os dotes de atriz para fora hehe);
5. Demonstrar confiança e alegria ao deixá-lo;
6. Responder rapidamente ao choro do bebê (Isso sempre fiz, porque sou TOTALMENTE CONTRA deixar um bebê chorar sem consolar);
7. Durante o dia faça pequenas separações do bebê, ir a outro cômodo e deixá-lo só mas escutando sua voz para que aos poucos se entenda que você voltará, que continua existindo quando sai do campo de visão dele. Brincar de escode-esconde ajuda bastante nessa fase;
8. Evitar transferência de colo para colo. Apesar dessa ser a prática comum, entregar o bebê ao cuidador no colo, esse simples ato cria ansiedade na criança que sai dos braços da mãe para o de outra pessoa, gera um desconforto físico que só aumenta a ansiedade.
Assim o ideal é fazer a transferência em outro ambiente, como no chão enquanto o bebê brinca, inclua o cuidador nessa brincadeira, você da tchau e sai, esse é o momento do cuidador pegá-lo, aumentar a interação com o bebê.
Pois é meu povo, o negocio é esperar passar, por enquanto vou fazendo o que aprendi com as leituras que tenho feito, e com algumas amigas facebookeanas que encontrei nos grupos de discussão que participo e só por precaução reforcei o estoque de base e corretivo, que aliás tem me sido muito úteis nessa fase. Só assim para não assustar ninguém quando saio de casa.
Recado para Marina: Marininha, mamãe te ama mais que tudo e sabe que essa fase só demonstra que você é uma bebezica saudável, então vou fazendo o melhor que posso. Seu sorrisinho matinal já compensa a noite insone.
Referências:
Livro: Soluções para noites sem choro. Elizabeth Pantley. M Books, 2003.
Livro: O Livro da maternagem: para mães, pais, cuidadores e doulas. Thelma B. Oliveira, Ed Schoba, 2012.




12 comentários:

  1. Amei o blog!!! Li vários posts, mas tem uma bebê quase acordando aqui e voltarei depois para ler mais... só uma pequena correção : o texto que vc menciona lá em cima é de Andrea Mortensen e não André , ok? Abraço e parabéns!

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  2. Olá Vivi, obrigada :)

    Quanto ao nome da Andrea Mortensen foi erro de digitação mesmo... Isso é que dá postar as coisas com bebê no colo, mas já corrigi.

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  3. Muito bom... me identifiquei pois minha Sophia esta nesta fase, sem fome não quer comer nada... e dorme muito pouco e bem mais chorona.... achei q tinha algo errado com ela...mas to vendo que é mais normal do que imaginava...

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  4. Que alivio, estou com meu Luca de 9 meses exatamente como vc esteve com sua Marininha, fico preocupada por nao ter tanta paciencia, mas vou fazer de tudo pra fazer o melhor... ele nao me deixa nem escovar os dentes!

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  5. Eu estou vivenciando isso agora. Tem uma semana que voltei a trabalhar e deixei meu filho de 7 meses com minha mãe. Ela tem notado que Miguel está ficando bem inquieto e tem chorado muito. Além, claro, de não estar se alimentando direito. Estou muito aflita. Embora saiba que isso é uma fase, me corta o coração ver meu filho assim...

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  6. Estou passando por tudo isso!!
    A questão é meu nível de estresse está no topo ,e o choro do bebê está me irritando extremamente ! Ele tem 8 meses

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    1. Eu sei que é difícil, somos humanas afinal. Se você puder, tiver alguém com quem deixar seu bebê tire uma horinha para vc fazer algo que gosta, renovar as energias, fazer uma higiene mental para voltar fortalecida para seu bebê. Um abraço forte, te entendo :)

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  7. Gente.... é incrível como tudo se encaixa com o que venho passando com minha bebê de 8 meses, a situação é estressante mas estamos sempre dando muito amor e tambem sou completamente contra deixar chorar, devemos dar importância aos sentimentos deles, se não isso pode se refletir na vida adulta deles. E é engraçado, isso se intensificou quando minha mãe começou a ficar com ela e vim trabalhar, ela fica tranquila com minha mãe, não chora, age naturalmente, mas a noite começou a chorar muito e não dormir quase nada, quando minha mãe vai embora, e fico com ela o dia todo, ela já dorme bem melhor à noite, e a Lara (exceto no primeiro mês) foi aquele bebê que dormia a noite inteira mesmo, não acordava nem pra mamar! Então, quando isso começou a acontecer achamos que fosse dor pq ela acordava muito no desespero, e nao está comendo bem também. Mas à todas as mamães, paciência, pq isso faz parte do desenvolvimento do bebê, é sinal que ele está se desenvolvendo super bem, o vínculo com a mãe está crescendo ainda mais, e é uma fase, quem nunca passou por períodos difíceis? Essa fase passa com certeza, e quando passar daremos muito valor à atenção que demos aos nossos pequenos =)

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  8. Meu bebê tem 8 meses. Ele só chora. Quer braço. E muitas noites mal dormidas. Tem duas que ele se acorda de 2 da manhã e vai até 3, 4 horas. Alguém aqui assim tb ?! Tô tão aflita. As vezes só quero sumir. Tá tão difícil.

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    1. Eu estou assim igual a você, esgotada.Estou pedindo a Deus sabedoria para lhe dar com isso; e muita paciência. Já são várias noites sem dormir; minha bebe esta com 8 meses, tem chorado sem parar, não dorme quase nada, eu não posso sair de perto que chora. Cuido dela sozinha porque meu esposo trabalha o dia todo.Tem dias que eu sinto vontade de chorar; porque acho que não estou dando conta de cuidar dela.

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    2. Nossa minha filha tem 8 meses e tá igual não fica com ninguém chora por tudo me quer o tempo inteiro não dorme não estou aguentando estou sem paciência me ajudem

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