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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Eu mamãe: a louca naturalista.

Seria engraçado não fosse trágico, o senso comum geral sobre a forma como as crianças devem ser tratadas, alimentadas, como devem vestir-se ou com que brinquedos devem brincar beira a imbecilidade.

Porque criança tem que comer alimento ultraprocessado? Porque oferecer nuggets de cartilagem de galinha? Isso é comida de criança? E os docinhos? Mas criança não pode viver sem pirulito... "Há mas é só um pirulitinho... você tem que saber que seu filho vive no mundo e que precisa ter contato com essas coisas" Sempre tem um iluminado de plantão para soltar essa frase.

O que posso dizer? Eu sei disso, só não queria que ela tivesse recebido seu primeiro pirulito antes dos dois anos, na escola, pelas mãos das professoras.

E os brinquedos? E o mundo rosa e lilas? O que falar disso? E ODEIO rosa, Marina gosta, então ela usa, mas ela passou a gostar mais por causa do convívio com outras meninas vestidas de rosa, por causa da escola e etc... entende?

Fora as opiniões sobre educação do filho dos outros, por Thor!!!! Oxum me acuda!!! Se sua avó e sua mãe te educavam de uma certa maneira, te batiam, e hoje você é uma pessoa de bem e sobreviveu, ótimo para você!!!! Mas não venha tentar me convencer a criar uma sobrevivente, aqui a intenção não é essa. 

A escola...de forma geral ajuda a reproduzir essas ideias massificadas... quando penso a respeito sempre me vem a mente aquela imagem de um rebanho de ovelhas correndo juntas e depois se transformando em uma massa de trabalhadores do filme Tempos Modernos de Chaplin, aliás apesar de antigo esse é um filme bem atual. Existem escolas que fogem desse padrão, mas são minoria. A escola que Marina frequenta está no meio termo, tem respeito pelo brincar, pelo ludico, mas apresenta essa reprodução de alguns valores
equivocados. Eu tento dosar, filtrar muita coisa em casa, mas por hora essa é a opção viável para nossa família, pois na cidade em que moramos não tem escolas Waldorf (seriam minha primeira opção), e o homeschooling infelizmente não é possível para nós nesse momento.

Fora o problema que a gente arruma quando decide criar um filho sem religião... as pessoas simplesmente não entendem, não ter religião não significa ser ruim, desonesto...ou qualquer coisa do tipo. Ao contrário, pessoas sem religião tendem a ser mais justas e empáticas, e seguimos educando Marina nesse sentido. Ela não precisa ter medo de deixar "papai do ceu triste" porque fez algo errado, não, mil vezes não! Espero que aos poucos, assim que for tendo maior compreensão, vá entendendo a melhor forma de se comportar, e que toda ação leva a uma reação, então não vai quebrar o brinquedo do colega porque cosegue se por no lugar dele e sabe como seria ruim ter seu brinquedo quebrado. Aqui está valendo a velha
máxima, não se faz com os outros o que não queremos para nós, simples assim.

Depois que fui mãe, sai da matrix do senso comum, fiquei mais crítica e mais cuidadosa, isso tudo me fez mudar, irremediavelmente. Acontece que, o que antes era indolor, hoje incomoda, me faz mal. Ao ver um bebê de 4 meses comendo papinha porque o Pediatra Fofo passou, não consigo mais ficar calada (e olhe que o esforço interno para tal é enorme), que a Cesa Lushoo foi agendada por causa da pesigosa circular de cordão, que menino não pode brincar de boneca (sério que já ouvi mãe brigando com menino de 2 anos por isso)... isso vem me irritando cada dia mais. 

Esse comportamento em relação a infância é muito tenebroso, porém não creio que os pais sejam os culpados, não é um julgamento pessoal. Acontece que temos toda uma organização social, instituições religiosas, industriais (alimentos, vestuário, brinquedos), escolas, sociedade e no fim de tudo, ele... o velho patriarcado, dizendo como mulheres e crianças devem se portar, como sua vida, seus corpos, sua inserção na sociedade deve acontecer e isso tudo é muito foda de se aguentar. 

Antes eu apenas reproduzia o discurso, agora fora da matrix percebo o quanto devo ter sido babaca um dia, então peço desculpas a todas a mães que me ouviram falar qualquer dessas besteiras antes de ser mãe. 

Aqui eu no inicio da loucura, trabalhando e me empoderando com minha curuminha ainda bebê.
Estou aprendendo, a cada dia, mas desde já agradeço muito a Marina que foi o fogo que possibilitou que eu me renovasse. Curso nenhum (graduação, especialização, mestrado, doutorado) teve essa capacidade, nem as horas de estudo, nem as pesquisas, nem os inúmeros artigos científicos foram capazes de despertar em mim essa linda loucura, essa inqueitação que me abate e que me faz tentar ser melhor, por ela, por mim, pelas outras mulheres e crianças, por um mundo com mais amor, mais aceitação e principalmente mais respeito as necessidades da infância, para que possamos ter adultos fisica e emocionalmente saudáveis.

Fica aqui o desabafo de uma mãe que já vestiu a carapulsa de louca, porque se ser assim é ser louca, sim eu sou louca, com muito prazer.


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O que que tem na sopa do neném?

Transgênicos, e ai? Quem se arrisca?


Sempre que escuto a música Sopa (do Palavra Cantada) lembro de minha sobrinha Léia, é muito engraçada a reação dela ao inventarmos ingredientes inusitados ou escatológicos para por na sopa, ela sempre faz cara de nojo e grita éca!!!! E morre de rir, uma risada gostosa pra danar.

Acho que essa seria a reação da maioria das pessoas (sem as risadas) se soubessem mais sobre os alimentos que consomem e que dão para seus filhos. Uma questão que vem me preocupando é a invasão de transgênicos nas prateleiras do supermercado. Dia desses deu vontade de comer cuscuz, fui comprar fubá e todos, repito TODOS tinham o infame T de transgênicos, voltei para casa deprê. Que mundo é esse, temos que tomar cuidado até com um simples cuscuzinho.

Mas o que é um alimento transgênico? 


Bom basicamente é feito o seguinte: pega-se uma espécie vegetal, como o milho, separam-se as células, suas membranas são rompidas (com laser) até que se chegue ao seu DNA, nesse momento gens de outros organismos (Bactérias por exemplo) são agreados ao DNA da planta. A finalidade disso tudo é tornar a planta mais resistente a pragas e a herbicidas, além de aumentar a produtividade.

E qual é o problema? 


Primeiro, os transgênicos por serem mais resistente aos herbicidas (glifosfato principalmente) recebem uma dose maior desse produto que é comprovadamente carcinogênico (aumenta a chance câncer), sobre esse assunto tem um texto com boas referências aqui.

Segundo, a própria semente transgênica por si só apresenta risco, é uma questão de bom senso, se a planta recebe uma agressão dessas e tem seu código genético alterado não dá para saber o que pode causar o consumo desses produtos a longo prazo. Ou melhor, até dá sim em 2012 saiu a primeira pesquisa que tentou medir o efeito do consumo de transgênicos em seres vivos, no caso pobres ratinhos. Aqui tem o link do artigo original de Séralini GE, et al, 2012, basicamente os autores separaram três grupos de ratos e alimentaram um grupo com milho transgênico, outro com milho transgênico tratado com herbicida a base de glifosfato e um terceiro com milho normal tratado com herbicida.

O resultado é que os ratos que consumiam milho transgênico tratado com herbicida sofreram incidência maior de tumores (cerca de 80% mais), e isso afetou mais as fêmeas. Além disso os resultados demonstram claramente que os níveis mais baixos de formulações herbicidas induziu a pertubações renais,glândula pituitária e hepáticas. Mesmo os ratos que consumiram o milho sem herbicida, mas que era transgênico apresentaram tais alterações.

Terceiro, a questão comercial, ou melhor a injustiça social, comercial, a safadeza da agroindústria e dos governos. Vejam bem, as sementes transgênicas são patenteadas e a empresa que detém quase a totalidade dessa patentes é a Monsanto uma corporação by Tio San. Essa empresa tenta desqualificar estudos e pesquisas contra os OMG, aqui e aqui temos o link para o site da Monsanto e para um dos blogs citados por ele como referencia. Por outro lado o Greenpeace tem opinião totalmente contrária, sendo veementemente contra os transgênicos e informando os porquês. 


Quer dizer que eu consumo transgênicos?


A resposta mais provável é que sim! Muita informação não é? Mas se você resistiu até aqui continue um pouquinho mais...

Saiba que se você oferece uma simples papinha Cremogema está oferecendo transgênico, além é claro de muito açúcar e caloria vazia, mas isso é assunto para outro post. Você também encontra transgênico em quase tudo que é de soja, como o famoso óleo de soja, em salgadinhos (tipo fandangos), todos os derivados de milho exceto o milho de pipoca, fermento químico, várias marcas de biscoito recheado e por ai vai, seguem algumas fotos que vão ajudar.

Esse simbolo ai indica que o alimento possui transgênicos em sua composição, então convém observar o rótulo.
Simbolo dos transgênicos.

Alguns exemplos:




E ai? Chocados? Pelo menos eu fiquei... mas não para por ai. Muitas empresas querem na verdade é retirar essa identificação da rotulagem, para isso já tem até projeto de lei rolando e muita pressão dessas grandes corporações para influenciar nosso laborioso legislativo. O tal projeto é de autoria do digníssimo Sr deputado Luiz Carlos Heinze PP/RS.



E o que eu posso fazer?


Antes de tudo informar-se, por isso seguem alguns materiais bons que achei nas minhas pesquisas:

Cartilha do Greenpeace o verdadeiro, ela tem a lista dos principais produtos que contém transgênicos, é um bom referencial.
Cartilha do IDEC sobre transgênicos, explica de forma bem didática o que são, fala um pouco sobre os riscos e sobre o direito a informação.

Tem também o Abaixo assinado do IDEC (Instituto de defesa do consumidor) contra o projeto de lei que quer retirar a identificação do transgênicos dos rótulos, quem quiser assina.

Depois preferir alimentos o menos processado possível, no melhor estilo faça você mesmo. Procurar por produtos orgânicos, nos grandes supermercados sempre tem uma seção específica caso não tenha feira de orgânicos próxima a sua casa. E finalmente ficar bem atento aos rótulos.

Gente, depois que acabei de escrever isso tudo (enquanto Marina dorme) me achei doida varrida. Mas sabe de uma coisa? A maternidade, a existência dessa bebezinha (linda, fofa e esperta da mamãe coruja) me fez muito mais crítica, antes nem me preocuparia, mas sou responsável pela vida dela. Como poderia simplesmente deixar para lá e colocá-la em risco? Os críticos vão dizer que os estudos não são suficientes, que não dá para provar que faz mal, mas para mim basta não conseguir provar que faz bem, só isso já é mais que suficiente para que eu não queira arriscar a vida da minha filha e nem a minha que quero estar aqui para cuidar dela enquanto ela precisar e para babar meus netos, se ela resolver ser mãe também.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Marininha não quer comer, e agora?

Esse blog anda um pouco abandonado, nesses últimos tempos, depois que Marina fez um ano, foram tantos probleminhas que aconteceram por aqui, mas agora tudo bem!

Novidades nessa fase são muitas: minha bebezinha, já faz algum tempo, está andando. Está muito mais arteira do que já era, agora deu para escalar tudo, nada é empecilho, sofá, cadeira, brinquedos do play, canteiros e por ai vai... cá para nós eu estou amando tudo isso, acho lindo ver ela feliz vencendo os obstáculos. A cada dia mais palavrinhas entram no seu vocabulário e ela agora deu para falar muito, as vezes sem parar, só que numa língua própria, é muito engraçado.

A preocupação da vez? Bem, pós doença, nascendo dois dentinhos novos, no meio do salto de desenvolvimento, do alto do seus 13 meses Marininha resolveu fazer greve de fome. Ela literalmente, não aceita nada, nadica de nada! Ainda bem que tem o peito salvador, e como mamar ela não recusa, pelo menos sei que está se alimentando. Só fico preocupada, porque tem dias que nem pera (uma de suas frutas preferidas) ela quer comer, coisa de mãe mesmo.



Mas o que será que causa essa variação de apetite? Fisiologicamente, a partir de 1 ano a criança diminui seu ritmo de crescimento então o bebê começa a precisar de menos alimento, como ainda são muito instintivos, naturalmente reduzem a quantidade de alimentos. A isso se somam as doencinhas típicas dessa fase, o nascimentos dos dentes, além dos saltos de desenvolvimento.

Apesar de saber disso, tentei muita coisa para melhorar essa ingesta alimentar, umas deram certo outras não, por isso compartilho aqui algumas medidas que ajudam quando o assunto é melhorar o aporte nutricional de minha pequena:

1. Deixar comer com as próprias mãos, inclusive o almoço. Para isso tenho feito comidinhas que ela pode pegar com as mãos como bolinho de carne e arroz no forno, legumes em palito assados no forno ou vapor, frutas cortadas e por ai vai;


2. Reforçar a alimentação, já que ela come pouco que pelo menos o pouco que come seja nutritivo. Tenho colocado quinoa no arroz (que é integral) e na papa de aveia, tenho usado também gergelim + aveia + quinoa nas massas de pão, bolo ou biscoito caseiros que ofereço a ela. Dar preferencia a frutas mais calóricas: manga, abacate, banana, açaí.

3. Não insistir, não forçar. O que aprendi foi, ficar forçando não dá resultado, ela estressa, eu estresso. Imagina como deve ser ruim uma pessoa enfiando comida na sua boca quando você tá realmente sem vontade de comer? As vezes rola uma distraçãozinha para a primeira colherada, só para ela provar, porque notei que as vezes ela tem "preguiça" de começar a comer, e é só. Muitas vezes quando faço isso ela sente o gosto e gosta da comida ela continua a comer, mas se não quer não insisto.


O perigo de forçar a comer é a criança associar a alimentação a algo ruim, estressante, ai sim teremos um problemão! Comer deve ser um prazer, se é assim comigo porque com meu filho deve ser diferente?

4. Ser regular na forma e horários que oferece alimento, não precisa de uma rigidez militar, mas um pouco de ordem é bom. Por aqui ela mama leite materno em livre demanda quando estou presente (e tem mamado muito principalmente quando está doente) e a rotina alimentar é mais ou menos assim:

- 06:00) Acorda e mama na cama ainda;
- 07:00) Café da manhã (fruta em pedaços + suco natural + pedaço de pão integral (na maioria das vezes) ou outro carboidrato;
-10:00) Lanche: fruta ou suco (as vezes também uma bolacha);
- 13:00) Almoço: 1 carboidrato complexo + 1 proteína (ela prefere carne vermelha, mas estamos insistindo em frango e peixe) + 3 tipos de legume + fruta ou suco;
- 16:00) Frutas batidas com leite (estou usando o integral tipo A ou a forma láctea Aptamil 3 que é menos ruim que o Ninho fases)+ aveia+ gergelim+quinoa
- 19:00) Jantar: mesmo do almoço ou papa de aveia com frutas,sopa, macaxeira, inhame, ou batata doce.
- 20:00) Hora de dormir: mamar.

Parece muita comida? Mas não é, as porções são de bebê, então quando falo em fruta estou falando de no máximo dois pedaços de pera ou metade de uma banana e só, ele não aguenta mais. A comida salgada a mesma coisa, porções bem pequena, o equivalente a quatro colheres de sopa cheias, e na maioria das vezes ela não come tudo.

O volume maior de suco foi inclusão recente, até 1 ano evitava ao máximo, preferia a fruta por entender que o aporte nutricional e calórico era maior. Mas quando tá sem apetite o suco acaba sendo melhor aceito, assim sempre dou um jeito de reforçar (não uso açúcar nem água, uso mais de uma fruta quase sempre).

É claro que isso é o que eu ofereço, está longe dela comer isso tudo, mas permaneço com a rotina, mantendo a regularidade.

5. Comer não é só para matar a fome, é um ato social também. Então procuro estar com ela a mesa nas refeições, comer junto nem que seja só um pouquinho. Como trabalho fora durante a semana faço isso nos cafés da manhã e jantares, aos finais de semana sentamos em todas as refeições, inclusive lanches.

6. Não transformar comida em prêmio, nem oferecer qualquer coisa só porque seu filho não está querendo comer. Sei que a tentação é enorme, mas que adianta comer biscoito recheado e refrigerante? Tá só consumindo caloria vazia, sem nutriente. Não ofereço danoninho, açúcar, chocolate, biscoito recheado ou wafer, refrigerante, suco industrializado, neston, farinha lactea, mucilon, maisena, salgadinho ou qualquer dessas besteiras. Claro, uma hora ela vai pedir, e quando pedir vou dar porque não acredito em nada que seja tão severo, mas claro que esse tipo de alimento será exceção.

7. Não esquecer que seu filho é único, não dá para ficar comparando, isso só vai elevar seu stress, ainda mais se seu filho for feito a minha que é magrinha. Cada criança come o que precisa, nós adultos é que "aprendemos" a comer sem necessidade só por gula. Cuidado também com a opinião dos "especialistas" dia desses na emergência a pediatra que atendeu Marina disse:

"Só 8 quilos? Ela deveria estar pesando uns 10... " Nessa hora fiz cara de alface, porque estava muito mais preocupada com a saúde de minha filha. Mas cá para nós, que opinião sem nexo é essa, ela acompanhou a curva de crescimento de Marina? Calculou seu IMC para ver se ela estava com baixo peso? Porque peso por si só não é parâmetro de nada. Cada criança tem um ritmo de crescimento, Marina sempre aumenta de altura e peso, mas sempre esteve entre os 25% mais magros da curva, ou seja, normal. 

8. Muita, muita paciência e entoar o mantra: "É uma fase e vai passar" também ajuda.










quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Lanchinho para bebês: potinhos caseiros de maçã e de pera.

Para mim a alimentação de Marina é coisa séria, por isso mesmo evito ao máximo dar aqueles potinhos industrializados, pois a fruta em si é muito mais saudável além de aguçar o paladar da minha pequena.



Porém para dar uma variada no cardápio dela, sempre experimento coisas novas, a última que fiz foi um papinha doce (já fiz de maça e de pera), é um  lanche saudável e bem gostoso, e que fica com uma textura muito boa para um pequeno ser com apenas dois dentes kkkkk. Pode ser armazenado na geladeira para ser oferecido geladinho, uma boa opção para quando os dentes estão nascendo e o bebê tá enjoadinho.

A receita é muito simples:

Peguei as frutas (fiz com maçã e pera) lavei bem, cortei ao meio (ou do jeito que você quiser) tirei as sementes e coloquei para cozinhar no vapor. Eu aqui em casa uso a cuscuzeira mesmo. 

Quando ficou mole, soltando da casca (para chegar nesse ponto levou em torno de 10 minutos) retirei da panela. Raspei a polpa e depois amassei bem.


Deixei esfriar e daí foi só armazenar em potes limpos e esterilizados. Eu sempre faço para ela comer no mesmo dia, pois tenho medo de estragar, mas dura mais, porém não quero correr o risco :)



Que fique claro que a fruta in natura é melhor, mas essa opção serve para dar uma variada e é bem melhor do que oferecer industrializados. Aqui em casa essas papinhas são sucesso total, Marina come com satisfação.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Alimentação complementar: duvidas, angustias e caminhos trilhados.


Faz um tempinho que Marina iniciou a alimentação complementar, inicialmente não foi fácil, ela rejeitou mamadeira (ainda bem rsrsrs), copinho ou qualquer outra coisa. Eu dava os alimentos líquidos (suco e água) de colher mesmo, depois descobri que existia uma mamadeira colher e funcionou bem por um tempo, mas depois rejeitou também. Foi a hora do copo de transição que funcionou bem até recentemente quando ela cismou e só quer usar o copo normal, pode? Quanto aos sólidos no início foi rejeição total, eu colocava na boca e ela cuspia tudo, com o tempo foi aceitando pequenas quantidades e hoje em dia aceita bem na maioria das vezes. Uma dica valiosa e que me ajudou muito facilitando a aceitação dos alimentos foi misturar um pouco de leite materno no alimento que ia ser oferecido, realmente ajudou muito, ela aceitava bem melhor assim, depois fui tirando o leite aos poucos.

Posso considerar que hoje com 7 meses ela já se alimenta bem, mas antes dessa fase tive que domar minhas ansiedades e entender um pouco mais sobre essa fase, pois nós mamães acabamos por ansiedade querendo que o filho bata aquele pratão e a coisa não é bem assim.


A primeira coisa que tive que desencanar foi com a quantidade, pois o estômago da minha pequena é assim como ela: pequeno! Um pratinho cheio é muito! Aprendi a respeitar o ritmo dela, observando vi que geralmente ela come metade do que coloco no prato e com isso se satisfaz. Os motivos para não forçar ela a comer um volume maior são vários: não forçar seu estômago a se encher demais; deixar ela aprender a quantidade que a deixa saciada, assim ela vai desenvolvendo uma consciência alimentar; fazer da alimentação um momento de prazer e não uma guerra. Fiz isso meio que por instinto, mas depois lendo um pouco vi que é recomendação da OMS, olha só:

"A OMS recomenda às mães/cuidadores a prática de alimentação responsável, que usa os princípios de cuidados psicossociais. A prática inclui o respeito ao mecanismo fisiológico de autor-regulação do apetite da criança. Recomenda-se alimentar a criança, lenta e pacientemente, até que se sacie, jamais forçando-a a comer. Em casos de recusa, pode-se experimentar diferentes combinações, sabores, texturas e métodos de encorajamento não coercivos, desde que não distraiam a criança da refeição, que deve ser um momento de aprendizado que inclui atenção, conversa e contato visual entre a mãe/cuidador e a criança."

Outra coisa importante é a consistência do alimento, existem várias vertentes, pois a forma de introduzir a alimentação complementar também é cultural. Em países nórdicos é comum introduzir a alimentação com alimentos inteiros para serem consumidos pelo bebê com suas próprias mãos é a chamada de alimentação guiada pelas mãos do bebê, em inglês Baby-led Wearning (BLW). Já a OMS tem a seguinte recomendação:

"A consistência deve ser adaptada às necessidades e habilidades do bebê. O desenvolvimento neuro-lógico da criança determina a idade de introdução dos diferentes tipos de alimentos. Lactentes aos seis meses devem consumir alimentos semissólidos e macios (sob a forma de purês), podendo ser amassados, porém nunca liquidificados ou coados."

No nosso caso, optei primeiramente por oferecer os alimentos amassados, mas com o passar do tempo a própria Marina começou a rejeitar as frutas amassadas foi ai que conheci o BLW e passei também a oferecer os alimentos inteiros. E não é que a danadinha prefere assim? Ela come banana, ameixa fresca, melão, mamão, laranja cravo, pêssego e uma série de outras frutas inteiras. Parto um pedaço e ofereço, e ela, apesar de ter só 7 meses come tudo, deixando geralmente só a casca. É incrível, depois disso ela desenvolveu uma mastigação muito boa e não engasga de forma alguma. Porém continuo dando alimentos amassados, principalmente o almoço, e outros na forma de purê (papas e afins).

Atualmente faço um misto, BLW na maioria das frutas, porque ela adora! E comidinha de colher amassada para as refeições como almoço. Fiz isso porque trabalho fora e ela fica a tarde com a cuidadora, senti que precisava facilitar as coisas para ela. Se fosse só comigo seria BLW total, com sujeira e tudo, afinal o leite materno ainda é seu alimento principal.

Outro ponto que necessita reflexão é o suco, adoçar ou não? Oferecer ou não? Pode substituir o lanche? Não tenho as respostas, mas entendo que por causa do tamanho pequeno do seu estômago o suco ocupa muito lugar e tem poucas calorias e fibras em relação as frutas in natura. Dessa forma eu preferi restringir a um suquinho de laranja pós almoço só para ajudar a absorção do ferro. Porém essa foi minha decisão em relação a minha filha, pois ela não é uma criança gordinha, além de não comer um volume lá muito grande, então pode e deve comer alimentos com maior aporte calórico. 

Outra coisa que chamo atenção são os alimentos desnecessários nessa fase. O primeiro é o açúcar, apesar de acharmos que a papinha, suco, ou outro alimento vão ficar ruins sem açúcar, para o bebê não ficam não. Explico: Seu bebê tem uma quantidade maior de papilas gustativas, além delas estarem funcionando a todo vapor (rsrsr), assim o que para nós está aguado (pois nossa paladar já está viciado) para eles é uma explosão de sabores. O doce das frutas é suficiente, uma dica boa é usar frutas como banana ou maçã e pera cozidas para adoçar as papas.

Tudo o que falei do açúcar vale para o sal, ele é desnecessário, no caso de Marina iniciei sem sal mesmo, cozinhava e temperava com cebola, coentro,tomate, alho, pimentão vermelho ou amarelo (são mais suaves) e ervas (alecrim por exemplo), depois de tudo cozido com o fogo desligado colocava um fiozinho de azeite e só. Porém com o tempo ela passou a comer também o feijão de casa (com sal) porque cozinhar feijão só para ela ficava difícil, e daí a danadinha passou a aceitar melhor a comida salgada com um tiquinho de sal, mas só uma pitadinha e nada mais.

Os alimentos industrializados também são desnecessários, é fato que são práticos, mas também contém: conservantes, corantes e flavorizantes, tem sabor mais acentuado e acabam "viciando" o paladar de sua criança. Como assim? Experimenta dar aquelas papas sabor morango, chocolate, danoninho, biscoito, salgadinhos e afins... o que você vai ter? Uma criança viciada em açúcar (ou sal) que acha o sabor das frutas pouco doce para seu paladar. É claro que Marina vai acabar comendo isso tudo (principalmente quando for para a escola), mas ainda não é tempo, é muito cedo para isso. Outra coisa importante é que a introdução precoce desse tipo de alimento prejudica em médio e longo prazo tanto os hábitos alimentares das crianças como sua própria saúde levando ao aumento do sobrepeso e das taxas de colesterol, ou seja práticas de alimentação pouco saudáveis nos lactentes durante o primeiro ano de vida podem "potencializar o risco de desenvolvimento de doenças, como as cardiovasculares" Essa questão é muito séria no Brasil, Caetano et al em pesquisa com lactentes menores de 1 ano verificaram uso dos seguintes alimentos Danoninho (51,3%), doce (26,1%), macarrão instantâneo (16,2%), suco artificial (20,7%) e refrigerante (9,0%), entre outros alimentos totalmente inadequados para essa faixa etária. Isso é um problema de saúde pública, realmente muito sério,pessoalmente fico indignada quando vejo alguém oferecendo esses alimentos aos bebezinhos, só de imaginar a cena de uma pessoa colocando refrigerante na mamadeira me dá calafrios.

A alimentação complementar deve ser diversificada, é bom que o bebê conheça diferentes texturas, diferentes sabores para assim desenvolver seu paladar. Esse para mim era um problemão, pois não sou lá essas coisas na cozinha e criatividade culinária não é o meu forte, mas a maternidade muda a gente de uma forma irreversível :) A internet é uma ótima amiga e foi nessas que encontrei esse blog aqui, ele tem receitinhas maravilhosas fiz algumas e Marina aprovou.

Para quem quiser, tem uma publicação ótima do Ministérios da Saúde, é o Guia Alimentar para menores de 2 anos é só clicar em cima e baixar, tem muitas informações e algumas receitas, vale apena ler.

Para mim o ato de oferecer alimento a um filho não é só um ato mecânico, precisamos refletir que hábitos alimentares quero que meu filho tenha? Como posso ajudá-lo a ser saudável? Muitas vezes o caminho mais prático  nem sempre é o melhor. 

Seguem outros arquivos com informações importantes que usei aqui:




sábado, 15 de dezembro de 2012

O que toda mãe e pai deviam saber sobre o uso de fórmulas artificiais por menores de um ano: Os motivos que me levaram a decidir não oferecer leite artificial a minha filha durante seu primeiro ano de vida.


Primeiramente quero deixar claro que apesar de defender a amamentação como principal fonte de alimento para uma criança menor um ano ano (exclusiva até os 6 meses) e de crer na sua manutenção até os dois anos ou mais, como preconizam a OMS e o Ministério da Saúde, reconheço que nos casos em que há uma impossibilidade real para o aleitamento materno o uso de fórmulas lácteas tem indicação e deve ser realizado. Entretanto esses casos não deveriam ser regra e sim exceção.

Temos três formas básicas de alimentar os bebês, a primeira é o leite materno, e esse não tem nem discussão é o melhor. A segunda forma é o uso de fórmulas lácteas (Nan, Nestogeno, Aptamil...) preparadas para possuírem propriedades semelhantes ao leite materno e a terceira é o leite integral normal (Ninho e todas as outras marcas de leite menos famosas).

LEITE INTEGRAL: Porque é contra indicado para menores de um ano?




1º) O sistema digestivo dos bebês ainda não está completamente "amadurecido", assim ele não consegue absorver o leite adequadamente.

2º) O leite pode provocar uma série de alergias.

A literatura científica demonstra forte relação entre o uso de leites e derivados e o desenvolvimento de processos alérgicos, principalmente alergias tardias, sendo essas  relacionadas com o surgimento a médio e longo prazo de otite, rinite, sinusite, bronquite asmática, amigdalite, obesidade, gastrite, esofagite, refluxo, enxaqueca e outra série de complicações.

Esse processo ocorre principalmente porque o organismo humano não digere bem algumas proteínas do leite (caseina, alfa-lactoalbumina e lactoglobulina), e não digere a beta-lactoglobulina que é outra proteína. Assim a mucosa intestinal pode ficar inflamada o que facilita a passagem de macromoléculas diversas e provoca má absorção de nutrientes. O problema reside no fato de que o organismo humano vê essas macromoléculas como corpos estranhos e isso desencadeia uma reação imunológica para poder combatê-las.

3º) Há sobrecarga renal, pois o leite de vaca possui três vezes mais proteína que o humano, além de apresentar uma concentração de cálcio muito maior em relação aos outro minerais, isso tudo exige muito mais dos rins de seu bebê.

4º) Está associado ao surgimento de anemia ferropriva no primeiro ano de vida pois apresenta baixa biodisponibilidade e densidade de ferro, porém possui excesso de proteínas e minerais, especialmente cálcio, o que interfere na absorção do ferro de outros alimentos.

Então, por esses e outros motivos que não deu para sumarizar aqui, não posso nem pensar em oferecer leite e derivados (isso inclui Danoninho, Requeijão, Queijos e bebidas Lácteas) para minha filhotinha antes dela completar seu primeiro ano de vida.

FÓRMULAS LÁCTEAS - Dá para confiar?

Já vimos que o leite integral não é uma boa opção, mas ainda restam as fórmulas lácteas, moderníssimas e caríssimas diga-se de passagem...hehe. Mas como nem tudo que reluz é ouro a história não é assim tão  bonitinha, vamos lá.

1º) As empresas que comercializam as fórmulas lácteas precisam criar demanda para seu produto, dessa forma ao longo do último século foram criando "motivos" e "estimulando" médicos a prescrever seus produtos, mas será que realmente são a melhor opção?

Tudo bem, não precisam me chamar de a louca da amamentação - hehe - reconheço a importância desses produtos, salvam a vida de bebês que não podem sem amamentados, isso já sei e concordo, a questão não é essa. Também acho que se a mãe não quer amamentar tem esse direito, pode dar a fórmula sim, essa não é minha conduta mas estamos em um país livre.

A verdade é que os primeiros lites artificiais não foram produzidos para "salvar" os bebês das mães que não conseguiam amamentar, foram produzidos principalmente para alimentar os bebês das mulheres que estavam entrando no mercado de trabalho, elas eram muitas, expostas a uma jornada desumana e não podiam amamentar seus filhos, assim com um mercado em expansão a Nestlé (principalmente ela pois foi pioneira) iniciou sua produção, até ai vá lá, esse é o mundo capitalista. O grande problema é que para ter aceitação a tal empresa envidou esforços para convencer mães e pediatras que seu produto era tão bom  e seguro quanto o leite materno, resultado? Na época a mortalidade infantil entre os bebês que usavam as fórmulas era 20% maior, e até hoje a mortalidade infantil é maior entre crianças alimentadas com essas fórmulas, isso em países "desenvolvidos" aqui não temos essa estatística.

E o que aconteceu? Milhões de criancinhas morreram por causa das informações deturpadas, por causa do marketing agressivo, abaixo tem o link de um documentário muito bom da TV Australiana sobre a desnutrição infantil causada justamente pelo uso de leite em pó como principal fonte de nutrição em crianças, apesar de antigo o documentário ainda é atual, e retrata um fato importante que não deve ser esquecido. Ai gente, desculpa, mas não dá para ser inocente ao ponto de achar que o pediatra prescreve  a tal fórmula porque é o melhor para seu filho, não dá. Não tem sentido dar fórmula a uma criança que é amamentada e essa é a prática mais comum nos consultórios, basta fazer seis meses que tá tudo liberado.


E se você ainda não se convenceu, pare e reflita sobre as seguintes questões:

- A Nestlé patrocina a Sociedade Brasileira de Pediatria, duvida? Então tá, da uma olhada no site deles: Site Sociedade Brasileira de Pediatria, isso é no mínimo estranho não é?
- É pratica comum em muitas maternidades oferecer leite artificial ao bebê, mesmo sem o consentimento das mães, porque será?
- É muito comum, mesmo com bebês amamentados, que se prescreva fórmula artificial  no momento da introdução da alimentação complementar. Qual a necessidade disso?
- Porque prescrever leite para intolerância a lactose a um bebê que é amamentado? Gente, bebês com intolerância ao leite materno são raríssimos, e esses poucos casos infelizmente tem alta mortalidade. Quanto um bebê tem intolerância a lactose, é do leite de vaca que estamos falando, então nesse caso o correto é a mãe fazer a dieta para não passar as proteínas do leite de vaca para seu bebê.
- Porque suspender a amamentação e prescrever NanAR ou Aptamil AR, ou qualquer outro leite modificado para bebês com refluxo? Não parece ilógico que alimentemos um bebê que já é propenso a problemas gástricos com um leite mais alérgeno, que é o de vaca? Não seria melhor nesses casos estimular o aleitamento materno? Outra coisa, para os que não são amamentados, a literatura indica que não há diferença entre usar esses leites especiais ou fazer o espessamento do leite de forma caseira (coloquei o link do artigo lá embaixo é só conferir).

Daí pergunto, até quando vai a indicação correta e segura da fórmula láctea? E os nossos instintos maternos de nada valem? 

2º) Por melhores que sejam as fórmulas não possuem nem de longe as propriedades do leite materno, pois:
A) O leite humano é rico em leucócitos e anticorpos que protegem o bebê contra infecções e alergias, possui fatores de crescimento que aceleram a maturação intestinal, também previnem alergias e intolerâncias
B) Só leite materno possui ácidos graxos poliinsaturados da série n-3 que são importantes no desenvolvimento e funcionamento do sistema nervoso central, alguns fabricantes até tentam enriquecer suas fórmulas mas os estudos ainda são inconclusivos.
Para resumir, segue a tabela da OMS com a comparação entre os três tipos de leite, e é claro que o leite materno leva larga vantagem sobre os outros.


Tabela de Comparação do leite materno com outros leites:


Leite Humano
Leite Animal
Leite artificiais
Propriedades
Anti-Infecciosas
Presente
Ausente
Ausente
Fatores de crescimento
Presente
Ausente
Ausente
Proteína
Quantidade adequada, fácil de digerir
Excesso, difícil de digerir
Parcialmente modificado
Lipídeos
Suficiente em ácidos graxos essenciais, lipase para digestão
Deficiente em ácidos graxos essenciais, não apresenta lipase.
Deficiente em ácidos graxos essenciais, não apresenta lipase.
Minerais
Quantidade correta/ equilibrado
Em excesso / desequilibrado
Parcialmente correto/ parcialmte equilibrado
Ferro
Pouca quantidade, bem absorvido
Pouca quantidade, mal absorvido
Adicionado, mal absorvido
Vitaminas
Quantidade suficiente
Deficiente A e C
Vitaminas adicionadas
Água
Suficiente
Necessário extra
Necessário  extra




OMS/CDR/93.6


Conclusão, se desejo o melhor para minha filha, se sou saudável e posso amamentá-la é o que vou fazer. Quando coloco as três opções e reflito, vejo que, se posso oferecer o melhor porque ofereceria outra coisa? Claro que esse é meu desejo, que é o que pretendo fazer, caso não pudesse logicamente procuraria uma fórmula láctea adequada as necessidades dela, mas por enquanto isso não está nos meus planos. Assim vamos seguir nossas vidas, ela já iniciou a introdução de alimentação complementar com muitas frutas e legumes, mas leite só o da mamãe aqui.

Sabrina Neves.


Para tomar minha decisão como mãe (o que resultou nesse texto) consultei as seguintes fontes (além do material da OMS cujo link está no outro post):

Artigo da Pediatrics sobre o uso de leite de vaca no primeiro ano de vida.