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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

De bebê a menininha: tranformações e desafios.

Faz tempo que não venho aqui, essa ausência se deve principalmente a necessidade de dispor meu tempo livre para Marina e aos compromissos profissionais... mas mi-mi-mi a parte, Marina está com 2 anos e 8 meses, e mudou tanto, mas tanto.

Passamos pelos tais terrible two, passamos pelo desmame noturno e depois desmame total (texto que já comecei a escrever um zilhão de vezes), defraldamos e agora estamos, faz duas noites sem a cama compartilhada. Ainda coloco ela para dormir, deito a seu lado, mas ela agora dorme a noite toda e não mos solicita mais a noite. Não houve choro, não houve ameaça, nem deixei ela só, simplesmente está acontecendo.

Engraçado como as mudanças vão acontecendo, mesmo sem a gente forçar nada. Sabe, se tivesse que escolher apenas um conselho pada dar a uma mãe recém parida eu diria: deixa rolar, siga seus instintos. É isso! Quando é sem cobrança, respeitando o nosso tempo e o tempo deles, com muito amor e respeito, as crinaças deixam as fraldas, deixam de mamar, dormem a noite toda, deixam de pedir tanto colo... e isso não é porque você utilizou uma tecnica ninja de adestramento de bebê, e sim porque um dia inevitavelmente eles crescem, e sabe de uma coisa? Aquele velho mantra materno: "tudo passa, tudo passa" é muito verdadeiro.

Lógico, que, as mudanças não acontecem da noite para o dia, na verdade, as mudanças são quase como uma dança, períodos mais intensos, períodos mais tranquilos, até finalmente terminar e passar para a dança seguinte.

Agora estou eu aqui, com uma menininha que já tenta me convercer da opinião dela. Novos desafios e novas aventuras estão por vir e isso me encanta,

É isso, parando por aqui, só vim matar a saudade, deixa eu ir lá que vamos arrumar o quarto juntas para ela ir dormir.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Lidando com o sono dos bebês: diferenças entre o Nana Nené e Soluções para noites sem choro.

Marina nunca foi lá muito dorminhoca, teve uns períodos bem difíceis, acordando às 03:00 da madrugada e permanecendo acordada até umas 06:00 ou 06:30 da manhã. Nesse período comecei a buscar informações sobre como organizar a rotina de sono dela.

O primeiro livro que li foi o Nana Nenê do Dr Estevil, li mas não apliquei o método porque trata-se de uma adaptação do método Ferber, que consiste basicamente em deixar o bebê chorar para que "aprenda" a dormir sozinho.


NUNCA mas NUNCA mesmo eu conseguiria fazer isso, primeiro porque não consigo, eu acho que ia chorar mais que ela, segundo porque ao estudar vi que esses métodos:

1. Não "ensinam" o bebê a dormir, o bebê simplesmente se acostuma a não ser atendido. Pois seu choro (forma de comunicação) não é atendido pela mãe (ou cuidador). Ao contrário do que dizem os especialistas não atender a contento o choro do bebê pode trazer consequências danosas. Explicando melhor: seu bebê não começa a dormir, ele aprende que a voz dele não tem importância e simplesmente desiste, levando ao desamparo aprendido condição que leva o bebê a desistir de pedir ajuda ou achar uma solução para o problema, ele simplesmente aceita. É tão sério que quando querem induzir depressão em animais de laboratório  o fazem por meio do desamparo aprendido.

2. Bebês que sofreram com esse método frequentemente "dormem" a noite toda, mas também desenvolvem com maior frequência transtornos como terror noturno.

3. Bebês simplesmente não estão neurologicamente aptos a dormirem sozinhos, ninguém aprende a dormir como aprende ler. Dormir sozinho (ou conciliar o próprio sono como diz o autor) acontece quando se tem maturidade neurológica para tal, é como andar.

4. O próprio autor admitiu recentemente que o método é CONTRAINDICADO para bebês, dá uma olhadinha na entrevista dele ao jornal El Pais aqui. Isso posto, se até o autor reconhece o erro não tem mais o que falar não é?

Como para mim o Nana nenê não era uma opção fui atras de outras opções. Foi ai que me deparei com um grupo do facebook chamado Soluções para noites sem choro, o grupo é baseado no método do livro homônimo da autora Elizabeth Pantley . Como o grupo dispõe de documentos muito bons resolvi comprar o livro.

A primeira coisa que me agradou é que todos os métodos do livro respeitam o bebê, ela incentiva a amamentação em livre demanda, e trás técnicas para ajudar com o sono dos bebês, mas todas muito gentis, sem traumas.

A metodologia é mais complicada, e demorada. Confesso que não consegui seguir o método totalmente por muito tempo, porém as dicas são ótimas e depois de implementar o sono de Marina melhorou 80% principalmente as sonecas diurnas. Antes ela não dormia uma soneca maior que 30 minutos, agora chega a 1h e 30 minutos. Ela inda acorda a noite, pois é um bebê e isso já é esperado. Ela dá mais trabalho quando está em salto de desenvolvimento ou em pico de crescimento? Sim. Mas notei muita melhora nela.

A autora é bem didática e apresenta os seguintes passos:

1. Conheça seu bebê, os hábitos, como dorme, quando dá sinais de cansaço e quais sinais são esses.
2. Estabelecer rotinas a partir do que você observou com seu bebê (ela dá várias dicas de rotina, bem legais)
3. Estabeleça um plano com as rotinas, o que você vai fazer e as metas;
4. Implemente, e anote os resultados dia a dia (o livro trás os modelos de planilha);
5. Reavalie os progressos periodicamente, elabore novo plano e siga.

Além disso fala sobre:

- Desmame noturno (não é para desmamar, só para reduzir mamadas de madrugadas em crianças maiores);
- Remoção gentil (técnica para o bebê dormir sem necessariamente ter que estar mamando);
- Esclarece sobre a fisiologia do sono dos bebês;
- Fala sobre saltos e picos de desenvolvimento, segurança, ansiedade da separação...

Deve ter mais, mas de cabeça (porque Marina tá no colo enquanto escrevo) é o que me lembro.

Fica aqui a dica: não existem soluções milagrosas! Você pode ajudar estabelecendo uma rotina, dando segurança e carinho, mas seu bebê é um bebê, e acordar faz parte, claro que acordar uma ou duas vezes é diferente de acordar dez vezes e é nisso que esse livro ajudou. No meu caso Marina ainda acorda bastante, mas aprendi que é uma característica dela que se intensifica em algumas fases. Se eu usasse o método nana Nenê ela poderia até "dormir" mais, mas a que custo?


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A tal crise dos 8 meses (ansiedade da separação): não é que ela existe!

Como todos sabem Marininha tá com 8 meses, e tá que tá, risonha, barulhenta (deu para gritar um monte), engatinha, vai de uma lado para o outro, se levanta apoiada, ama ficar em pé, ama brincar com a mamãe e com o papai, cada dia mais esperta, cada dia mais cuti... Só que também tá mais chorosa, com falta de apetite e com muita, acreditem...MUITA... dificuldade para dormir. E depois da enésima noite mal dormida deu vontade de partilhar mais essa "aventura" materna que é a crise da ansiedade da separação ou angustia da separação.

Mas porque isso acontece? 


Como se sabe o bebê humano nasce muito imaturo durante seu primeiro ano de vida vai construindo e consolidando habilidades que lhe permitirão viver (sentar, andar, comer, etc). Durante essa fase a mãe (ou cuidador substituto) estabelecem uma relação muito próxima, quase visceral com o bebê e garante que todas suas necessidades sejam atendidas. 


Segundo Winnicott o inacabado ser humano quando vem ao mundo se confunde com este. Ainda não tem definido o que é seu corpo, o que ele é, o que é o outro, o que é o mundo que o cerca. Ao sugar ao seio, mais do que olhar para este, o bebê olha para o rosto de quem o está amamentando e quando olha no rosto da mãe o que vê é ele mesmo. O bebê recém-nascido então não diferencia sua mãe dele mesmo, para ele o corpo da mãe é uma extensão de seu próprio corpo.

Aos poucos o bebê vai descobrindo seu corpo, as mãos, pés, inicia-se o desenvolvimento psicomotor ainda rudimentar e assim vai se formando uma imagem  do seu corpo, Lacan (1949) desenvolveu a ideia do estágio do espelho (originalmente postulada por Wallon em 1934), que fala mais ou menos o seguinte: quando olha para o espelho o bebê inicialmente vê um outro, só depois percebe é que ele mesmo está ali. Então primeiro vê o outro, depois esse outro é ele mesmo e dá-se a partir daí um jogo de alternância eu-outro.

É justamente nessa fase (a partir do 6º, com mais intensidade no 8º mês) que o bebê começa a tomar consciência de que ele e a mãe são distintos, essa descoberta lhe traz angustia e medo. É importante ressaltar que para um bebê muito pequeno só existe aquilo que está no seu campo de visão, então quando a mãe não está ele pode realmente ficar em pânico. 

Essa fase leva a criança a ficar mais "grudada" na mãe, gera dificuldades de sono, mais choro e falta de apetite (em alguns), porém não deve ser menosprezada, aqui destaco um trecho do texto da Andreia Mortensen sobre o assunto.

É preciso levar a sério a intensidade dos seus sentimentos. O bebê não está “chatinho”, “grudento” nem “manhoso”. Como a mãe é o seu mundo e representa sua segurança, e como a noção de permanência (ou seja, tudo que está longe do campo de visão) não está completamente estabelecida, essa angústia é muito acentuada. A maioria das conexões nervosas no cérebro são feitas na infância e a maneira com que lidamos com as emoções do bebê tem um efeito profundo em como essas conexões se refletirão na capacidade do bebê lidar com suas próprias emoções quando for adulto. Em outras palavras, experiências na primeira infância e interação com o ambiente são as partes mais críticas no desenvolvimento do cérebro da criança. 

Para lidar com essa fase tão delicada encontrei no livro Soluções para Noites sem Choro  algumas dicas, que pus em prática e tem ajudado:
1. Aumentar os cuidados diurnos com o bebê, dar mais carinho; (Esse não foi nenhum sacrifício ADORO ficar grudadinha com minha Marina)
2. Seguir a rotina de dormir sempre (Por exemplo, a rotina de Marina consiste em: jantar, banho e massagem, musiquinha com a mamãe, mamar e dormir. Só que ela está se negando terminantemente a comer, mesmo assim todo dia faço seu jantar e ofereço);
3. Manter fotografia da mãe próxima ao berço (Essa não precisei por causa da cama compartilhada);
4. Se despedir do bebê ao sair, sempre dar tchau (Tô tentando, doí o coração mas é o jeito, e o pior é fazer isso com cara bonita e confiante que tudo vai dar certo! Vamo que vamo, colocar os dotes de atriz para fora hehe);
5. Demonstrar confiança e alegria ao deixá-lo;
6. Responder rapidamente ao choro do bebê (Isso sempre fiz, porque sou TOTALMENTE CONTRA deixar um bebê chorar sem consolar);
7. Durante o dia faça pequenas separações do bebê, ir a outro cômodo e deixá-lo só mas escutando sua voz para que aos poucos se entenda que você voltará, que continua existindo quando sai do campo de visão dele. Brincar de escode-esconde ajuda bastante nessa fase;
8. Evitar transferência de colo para colo. Apesar dessa ser a prática comum, entregar o bebê ao cuidador no colo, esse simples ato cria ansiedade na criança que sai dos braços da mãe para o de outra pessoa, gera um desconforto físico que só aumenta a ansiedade.
Assim o ideal é fazer a transferência em outro ambiente, como no chão enquanto o bebê brinca, inclua o cuidador nessa brincadeira, você da tchau e sai, esse é o momento do cuidador pegá-lo, aumentar a interação com o bebê.
Pois é meu povo, o negocio é esperar passar, por enquanto vou fazendo o que aprendi com as leituras que tenho feito, e com algumas amigas facebookeanas que encontrei nos grupos de discussão que participo e só por precaução reforcei o estoque de base e corretivo, que aliás tem me sido muito úteis nessa fase. Só assim para não assustar ninguém quando saio de casa.
Recado para Marina: Marininha, mamãe te ama mais que tudo e sabe que essa fase só demonstra que você é uma bebezica saudável, então vou fazendo o melhor que posso. Seu sorrisinho matinal já compensa a noite insone.
Referências:
Livro: Soluções para noites sem choro. Elizabeth Pantley. M Books, 2003.
Livro: O Livro da maternagem: para mães, pais, cuidadores e doulas. Thelma B. Oliveira, Ed Schoba, 2012.




sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Extero-gestação e o sono dos recém-nascidos.


Dia desses estava colocando Marina para dormir e parei para pensar nas mudanças que aconteceram desde seu nascimento, ela já dormiu de tudo que é jeito, mamando, sendo ninada na cadeira de balanço, rede, nos braços, deitada do meu lado comigo dando uns tapinhas ritmados no bumbum dela enquanto cantava... mudou muito! Daí lembrei que até os três meses o que salvou a galera dessa casa foi eu ter posto em prática as técnicas da teoria da extero-gestação.

A técnica se baseia na informação de que nos primeiros 3 meses de vida, o bebê humano é imaturo demais, pois devido ao nosso cérebro grande boa parte do nosso desenvolvimento cerebral acontece depois do nascimento. Assim, precisamos fazer quase tudo pelo bebê, inclusive acalmar e adormecê-lo. 

No ventre materno o bebê tinha todas as suas necessidades supridas e vivia em condições bem específicas: ele estava envolvido pela parede uterina e ficava aquecido e apertadinho, sendo balançado para frente e para trás a cada movimento da mãe, em um ambiente com barulho estático constante (barulho dos órgãos da mãe) que é uma especie de chiado. A teoria é que ao reproduzir essas condições obtemos do bebê uma resposta neurológica que leva a ao reflexo calmante, a partir daí desenvolveu-se 5 passos para ajudar a obter essa resposta, seguem os passos:



1. Fazer um Pacotinho do seu bebê - consiste em embrulhar o bebê apertadinho. Para você pode parecer agoniante, mas eles gostam, além de impedir que mexam bruscamente braços e pernas se assustando (isso acontece com certa frequência). É claro que o pacotinho não substitui o colo da mãe, bebezinhos precisam muito de colo, mas é uma boa pedida para a hora de dormir.

Aqui em casa o pacotinho era sucesso total, teve até um tempo em que Marina só conseguia dormir assim, e para acalmá-la nas crises de choro também foi uma ótima pedida.

Passo a passo de como enrolar o bebê.

Aqui tem um Vídeo ensinando a enrolar o bebê. dá uma olhada que ajuda :)

2. Posição de Lado - Essa ai eu não usei porque a recomendação atual e colocar para dormir de barriga para cima. Porém tenho que concordar que a posição de barriga para cima é estranha para o bebê uma vez que o ele passou nove meses na posição fetal com a coluna encolhida e os joelhos contra a barriga. Marina de vez em quando se assustava por causa da posição, mas diante do risco mantive a decisão de deixar ela dormir de barriga para cima quando estava no berço. 

Eu colocava muito Marina de lado quando estava no colo ou sling, e por muitas vezes ela dormiu assim no meu colo. A orientação para acalmar o bebê é segurar de lado ou com a barriga tocando os braços do adulto (a cabeça fica na mão do adulto, o bumbum encostado na dobra do cotovelo, com braços e pernas livres, pendurados). 

Foi nessa fase que ganhei o poush sling da minha amigona Débora e ele é ótimo para isso, Marininha amava e tirava altos cochilos la. 


3. Usar ruido estático e repetitivo tipo Shhhh Shhhh - e o engraçado é que fazemos esse ruido meio que instintivamente para acalmar bebês não é? Basta faser shhh a uns 10-20 cm de distância dos ouvidos do bebê, pode ir aumentando o "shh" até ficar tão alto quanto o choro do bebê. 

Podemos usar ruídos estáticos,tipo estação de rádio fora do ar. Maridex até brincava porque nós nos preocupamos em ter um sonzinho com CDs infantis no quarto dela e o que ela mais gostava era de ouvir o rádio fora de estação KKKKKK. Não tô brincando não, tem até CD com som estático para vender, mas vai por mim rádio fora de estação funciona que é uma beleza.

4. Balançar ou ninar - no útero seu bebê estava em movimento quase o dia todo, pois sempre que você se mexia ela mexia junto, ai depois que nasce é colocado em um berço parado... é claro que ele  vai estranhar.

O Movimento rítmico acalma os bebês, por isso é que instintivamente balançamos nossos bebês ou damos tapinhas ritmadas em suas costas ou bumbum para ninar.

Aqui usamos muito o sling, nosso braços, a cadeira de balanço (que foi F-U-N-D-A-M-E-N-T-A-L nessa fase), e por fim a rede que é usada até hoje (somos todos um pouco índios afinal).

E é bom lembrar que seu bebê é frágil, que deve balançar de leve de modo a proteger a cabeça, para evitar a síndrome do bebê sacudido.



5. Sucção - essa é uma necessidade real de todo bebê humano, por isso chupam dedo naturalmente assim que conseguem controlar o braço. Porém essa necessidade também existe no RN, só que ele não consegue levar a mão para a boca, daí entra a amamentação em livre demanda como forma de alimentar e acalmar o bebê.

Muitos oferecem chupeta ao bebê, ela pode até servir, porém tem (ao meu ver) mais malefícios que benefícios, o primeiro é que pode atrapalhar a amamentação, e o segundo é que pode prejudicar a arcada dentária de seu filho, além do uso da chupeta está ligado a maior incidência de doenças diarreicas e infecções em bebês.


Aqui em casa usei o método tradicional, foi (e continua sendo) amamentação em livre demanda, com o tempo aprendi a reconhecer quando Marina queria mamar e colocava ela no seio o mais rápido possível.

Por aqui ajudou demais, até porque minha menina Marina  nunca foi uma bebê dorminhoca e tranquila, então precisava (precisa) muito que nós (eu e o papai) a acalmemos e a coloquemos para dormir, para nós foi uma grande ajuda.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Nossa experiência com cama compartilhada.


Quando Marina nasceu queríamos fazer tudo conforme manda o figurino, ou melhor, conforme as recomendações dos pediatras, educadores etc. Então fizemos o quartinho de Marina com muito amor, decorado pelo papai, com tudo que tem que ter...etc Decidimos por um berço também no nosso quarto, mas só para o primeiro mês, até que ficasse maior e depois disso eu levantaria para amamentar (hahahaha). 

Até então tudo lindo, afinal nossa bebê devia ter seu próprio quarto, seu ambiente, e um bebê no quarto dos pais tira a privacidade, além de ser perigoso para o bebê!!!! (Discursinho bem característico dessa nossa sociedade ocidental e capitalista e o pior é que a maioria de nós cai nessa) E foi assim, quando ela estava com quase dois meses passou para o quartinho dela (fica em frente ao meu), com babá eletrônica ligada no volume máximo para que ao menor sinal eu ou o pai pudéssemos ir até lá. Eu confesso que isso me incomodava muito, meu coração ficava apertadinho, eu pensava: eu gosto de dormir acompanhada, eu sou adulta e sei me proteger e minha filha tão pequena tem que ficar sozinha enquanto estamos eu e o pai dela no quarto ao lado? Me pareceu injusto, mas mesmo assim me mantive forte e continuei.

Os dias passaram e ficava cada vez mais difícil levantar várias vezes a noite, dar mamar, colocar para dormir e voltar para meu quarto. Daí o maridex passou a levantar, pegar Marina e levar para mim e íamos nessa,   só que ninguém dormia direito. Foi ai que apelei e comprei o famigerado livro Nana Nenê (ai que vergonha...), porque ela passava horas acordada de madrugada e sempre que falava com alguém me relatavam que seus filhos dormiam. É claro li o livro, mas achei cruel deixar chorar e fui em busca de mais informações, daí achei o MARAVILHOSO Dr Carlos Gonzales e seu livro Besame Mucho. Foi paixão a primeira lida! Me identifiquei de cara, o texto dele nos faz refletir sobre as expectativas exageradas que nossa sociedade põe sobre a díade mãe-filho, tentando afastá-los cada vez mais, pois essa é uma prerrogativa da sociedade moderna capitalista em que vivemos.

Separei uns trechos sobre o choro e o despertar noturno dos bebês:

"Os recém-nascidos necessitam do contato físico; provou-se experimentalmente que, durante a primeira hora depois do parto, os bebês que estão no berço choram dez vezes mais do que aqueles que se encontram nos braços da mãe.
Ao fim de alguns meses, é provável que se conformem com o contato visual. O seu filho ficará contente, pelo menos durante algum tempo, se a puder ver e se a leitora lhe sorrir e dirigir a palavra de vez em quando. Há 100 000 anos, as crianças de meses provavelmente nunca se separavam da mãe, porque isso significava ficarem no chão nus. Atualmente, estão bem protegidos num local macio, e, mesmo que o instinto lhe continue a dizer que estarão melhor ao colo, são tão compreensivos e têm tanta vontade de nos fazerem felizes que a maioria se resigna a passar alguns minutos na cadeirinha. Mas, assim que você desaparecer do
seu campo visual, o seu filho começará a chorar como se o estivessem a matar .
Quantas vezes se ouviu uma mãe proferir esta frase! Porque efetivamente a morte foi, durante milhares de anos, o destino dos bebês cujo pranto não obtinha resposta.
É claro que o ambiente onde criamos os nossos filhos é atualmente muito diferente daquele em que evoluiu a nossa espécie.
Quando a leitora deixa o seu filho no berço, sabe que ele não vai passar frio ou calor, que o teto o protege da chuva e as paredes, do vento, que não será devorado por lobos ou por ratos, nem picado por formigas; sabe que estará apenas a alguns metros, no quarto ao lado, e que acudirá prontamente ao menor problema. Mas o seu filho não sabe isso. Não pode sabê-lo.
Reage exatamente como teria reagido um bebê do Paleolítico. O seu pranto não responde a um perigo real, mas a uma situação, a separação, que durante milênios significou invariavelmente perigo".


"Onde dormiam os bebês há 100 000 anos? Não existiam casas, nem berços, nem roupa. Certamente que dormiam junto à mãe ou sobre ela, numa cama de folhas improvisada. O pai não devia dormir muito longe, e a tribo inteira permanecia apenas a alguns metros de distância. Só assim conseguiam sobreviver durante o sono, o momento mais vulnerável do dia.

Recordação daqueles tempos é o hábito de marido e mulher dormirem juntos e a desolação (por vezes verdadeira insônia) que nós, adultos, costumamos sentir quando uma viagem nos obriga a dormir separados do nosso parceiro habitual. Muitas mães, se o marido dorme fora de casa, deixam que os filhos venham para a sua cama e não é fácil dizer qual dos dois encontra mais consolo com a companhia.
Imagina um bebê sozinho, nu, a dormir no chão e ao ar livre, a cinco ou dez metros da mãe durante seis ou oito horas seguidas? Não teria sobrevivido."


E continua...



"Naquela tribo, há 100 000 anos, duas mães foram dormir com os filhos. Não sabemos exatamente como o faziam, mas sabemos o que fazem atualmente os chimpanzés: ao cair da noite, cada adulto prepara um leito macio com folhas e ramos e deita-se para dormir. Os chimpanzés não possuem camas de casal, o macho e a fêmea dormem separados (ainda que não muito afastados, é claro; na tribo, todos dormem perto uns dos outros). É claro que a mãe e o filho dormem juntos até que este complete cerca de cinco anos.

À meia-noite, aquelas duas mulheres primatas acordaram; por motivos que desconhecemos, afastaram-se, deixando os filhos no solo. Uma das crianças era daquelas que acordam a cada hora e meia; a outra era das que dormem durante toda a noite, num só sono.
Qual das duas crê que nunca mais acordou? Ou então acordaram ambas ao mesmo tempo, mas uma delas começou a chorar imediatamente e a outra apenas depois de cerca de três horas, quando começou a sentir fome. Qual delas morreu de fome? Uma começou a chorar imediatamente, enquanto a outra permaneceu calada até que o aparecimento de uma hiena a assustou. Qual delas terá a hiena comido? Uma delas, quando começava a chorar, só parava quando a mãe voltava e a acalmava; podia chorar meia hora, uma hora, todo o tempo necessário, até a exaustão. A outra, pelo contrário, chorava durante alguns minutos e, se
ninguém aparecia, voltava a adormecer. Qual das duas dormiu para nunca mais despertar?
Adivinhou: os nossos filhos estão geneticamente preparados para acordar periodicamente. Os nossos filhos herdaram os genes dos sobreviventes, dos vencedores da dura luta pela vida.
Não dormem de um só sono, pelo contrário, passam, como os adultos, por vários ciclos de sono durante a noite. A duração de cada ciclo é variável, entre apenas vinte minutos e um pouco mais de duas horas; a duração média vem a ser de hora e meia nos adultos, mas apenas de uma hora nos bebês. Entre cada ciclo, passamos por uma fase de despertar parcial , que facilmente se torna despertar completo.
Mesmo os especialistas que ensinam as crianças a dormir reconhecem esse fato; o objetivo dos seus métodos não é conseguir que a criança não acorde, isso é impossível. O que querem é que, quando acorda, em vez de chamar pelos pais, se mantenha calada até voltar a adormecer.
As crianças estão de guarda para se certificarem de que a mãe não se foi embora. Se o bebê consegue cheirar a mãe, tocar-lhe, ouvir a sua respiração, talvez mesmo mamar, volta a adormecer de seguida. Em muitas das vezes, nem a mãe nem o bebê despertam completamente.
Mas, se a mãe não está, a criança acorda completamente e começa a chorar. Quanto mais tempo tiver chorado antes que a mãe lhe acuda, mais nervosa estará e também mais difícil de consolar."



Depois de ler esse livro (de uma tirada só na madrugada entre as mamadas - hehehe) eu tive muito mais forças para admitir e por em prática tudo o que eu sentia e trouxe minha filha para perto de mim, foi uma alívio confesso. O livro nana nenê do Dr Estevil joguei no lixo, porque se não quero uma coisa para minha filha não quero para o filho de ninguém, então nem para emprestar serviria.


Ela voltou ao nosso quarto e passamos a fazer cama compartilhada/quarto compartilhado, pois uma parte da noite dorme em um berço colado na nossa cama e em outra parte ao meu lado. Ela ainda acorda a noite, mas volta a dormir bem mais rápido, mama e as vezes eu mesma nem percebo, acabamos desenvolvendo uma sincronia enorme e acordo ao menor suspiro dela, mas também geralmente volto a dormir com muita facilidade.

Sei que esse tema é polêmico, uns "especialistas" são contra outros a favor, mas acho que o que vale mesmo é o que você sente, o que é mais prático e correto para vocês. Aqui tem um artigo do laboratório de estudos econômicos da UERJ sobre o tema.

Uma coisa importante para quem quer fazer cama compartilhada é estar atento aos requisitos de segurança que temos que adotar,  aqui e aqui tem um material ótimo sobre o assunto (Material do Grupo - Soluções para noites sem choro e um Guia da UNICEF) é bom dar uma lida para adotar medidas de segurança adequadas para seu bebê.

Desculpem-me os pitaqueiros de plantão, mas nem adianta perguntar: _ e se ela sempre quiser dormir na cama de vocês? Minha resposta seria: você conhece algum adolescente que prefere dormir com os pais a ter sua privacidade em seu quarto? Pois é, sei que ela não vai dormir sempre assim, para tudo tem seu tempo. Essa é a resposta que estamos dando a demanda atual dela, depois virão outras. E para ser sincera, queria eu dormir sempre sentindo o cheirinho da minha magrina... vou aproveitar enquanto ela quer :)

E a intimidade do casal como é que fica? Bom, pitaqueiro que pergunta isso não tem lá muita imaginação não é? Se há amor e cumplicidade entre o casal sempre se arruma um jeito para namorar.

Em fim essa foi a forma que nós encontramos, a que nos adaptamos melhor, mas é certo que cada família encontra as suas próprias formas. Nem todas as crianças são iguais, assim como seus pais. De forma que tá valendo tudo, na mesma cama, em camas separadas no mesmo quarto ou em quartos separados, já dizia o jargão popular "cada um no seu cada um, e deixa o cada um dos outros", desde que haja amor e que você não deixe seu bebezico chorando.